Pernambuco para os trabalhadores

Pernambuco Para os Trabalhadores

 

Não há como analisar a situação do Estado e do Nordeste sem localizar o Brasil no processo de recolonização imperialista que apesar de suas desigualdades em relação aos demais países mais frágeis e mais dependentes, devido a situação privilegiada da economia e da burguesia brasileira, a dinâmica é a mesma, ou seja, o Brasil caminha no mesmo sentido do conjunto da América Latina e caso o movimento de massas não consiga barrar o projeto neocolonista a economia brasileira e as instituições do Estado burguês nacional estarão cada vez mais subordinadas às decisões do imperialismo e de suas instituições internacionais políticas e econômicas com a ONU, a OMC, o FMI, o Banco Mundial e a OEA.

 

Por outro lado as massas proletárias e populares do Nordeste do Brasil sofrem ainda de forma mais drástica o subdesenvolvimento regional dentro do semicolonialismo nacional por ser uma região menos industrializada e cuja economia baseada secularmente na predominância da monocultura agrícola geraram uma superestrutura burguesa mais atrasada e oligárquica se compararmos com a Região Sudeste.

 

Neste aspecto o proletariado industrial e urbano também é uma classe muito mais débil basta ver que as grandes organizações de massas em Pernambuco são a FETAPE, os movimentos camponeses e os sindicatos do setor público. Sendo que a partir da segunda metade dos anos 90 os movimentos populares de sem tetos tem crescido produto da falta de políticas habitacionais para as grandes massas e do aumento do desemprego.

 

O processo da globalização com a abertura dos mercados contraditoriamente tem gerado nichos de investimentos industriais no Nordeste, a exemplo do pólo calçadista no Ceará, Petroquímico na Bahia e agora o projeto da Refinaria em Pernambuco devido ao baixo valor da mão-de-obra regional, às isenções fiscais dos governos estaduais e municipais e a existência de recursos naturais ainda não explorados. Tudo isso associado ao projeto burguês da chamada “vocação turística” da região onde se pretende privatizar e mercantilizar o uso da costa, rios, reservas ecológicas e da cultura.

 

Mas de conjunto a dinâmica imposta ao Nordeste é cada vez mais a adaptação da economia da região ao processo de recolonização e os possíveis novos investimentos também ajudam nesta direção basta ver que o “Orgulho de ser Nordestino do Bompreço” foi vendido com dois cheques ao grupo imperialista holandês que por sua vez já repassou para o grupo norte-americano Wall Mart para fazer concorrência a outro grupo imperialista francês o Carrefour. A maior privatização do Estado que foi a da CELPE foi concretizada por um grupo espanhol Iberdrola. A criação do setor irrigado agroexportador do sertão e a tentativa de transposição do São Francisco visam privilegiar a economia agrícola de excelência para o consumo europeu. Tudo isso às custas do agravamento dos problemas sociais da região e do Estado que já são dos piores do país.

 

Os governos burgueses estaduais e municipais sejam eles de quaisquer partidos (PSDB, PMDB, PSB, PDT, PFL, etc) e os governos da Frente Popular (PT, PCdoB) associados ou não, em oposição uns aos outros ou não, estão a serviço deste projeto global de recolonização e suas disputas são no sentido de quem melhor se localiza como sócios serviçais e minoritários na exploração da classe trabalhadora, no saque das verbas públicas e na exploração dos recursos naturais.

 

Abaixo expomos algumas medidas emergenciais para iniciar uma ruptura social e econômica que beneficie os trabalhadores da cidade e do campo, os pequenos camponeses e os setores populares:

 

  • O porto de suape e a refinaria devem ser estatais e controlados pelos trabalhadores.

  • Nenhuma isenção, renúncia ou incentivo fiscal para as empresas.
    Plano de obras públicas com construção de escolas, hospitais, saneamento básico, financiado com impostos especiais e progressivos sobre as grandes fortunas, o latifúndio e a especulação imobiliária.

  • Escala móvel de salários e horários, fim das horas extras e banco de horas, jornada de 36 horas, plenos direitos trabalhistas e previdenciários, livre direito de organização e associação da classe no pólo industrial e na refinaria. 

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